A Bicicleta, a Cidade e o Jardim

Andar de bicicleta nos dá um outro olhar sobre a cidade. Ao pedalar sentimos a atmosfera da cidade batendo no nosso rosto, nos nossos braços e pernas, nos tornamos mais íntimos dela, ficamos conhecendo seus menores detalhes, aquelas partes que parecem que foram esquecidas por todo mundo. Lembramos de coisas que até nós esquecemos, ou que nunca nos demos conta: que a cidade é nossa, e somos nós que a construímos de acordo com nossas vontades, desejos e sonhos. E o melhor de tudo isso é que, quanto mais se estreita a nossa relação com a cidade onde vivemos, mais bonita e interessante ela se torna aos nossos olhos. Nós sentimos que fazemos parte da cidade, que ela respira através dos nossos pulmões.

Aquele retângulo de terra batida, que muita gente nem percebe que era um canteiro, começa a saltar aos nossos olhos, como um reflexo não apenas das políticas públicas, mas do desligamento que a velocidade cria com o ambiente que nos cerca. Passamos tão rápido que a cidade inteira parece apenas uma paisagem entediante e previsível e não um mundo vivo cheio de infinitas possibilidades, uma realidade maleável que reage às nossas ações, onde os esforços se somam e satisfação que temos é impagável. E aos poucos, aquele pequeno pedaço de terra, se transforma, ganha cores, vida, vira assunto de conversa e gera uma ligação entre pessoas que nunca se viram antes.

Neste último domingo participamos I Bicicletada Jardinária de Porto Alegre. Plantamos três mudas de aráucária, duas de laranjeira, um abacateiro, várias estacas de figueira, dezenas de trepadeiras e flores, ganhamos a simpatia de pessoas que passavam pelo local, de crianças até pessoas com mais idade, palavras de incentivo, conversas divertidas, muito companheirismo.

Sim, a cidade é nossa. Não, nós não podemos ficar esperando. Somos nós que temos que construir a cidade que queremos, construir a relação que queremos ter com ela, com nossos vizinhos. A responsabilidade pelo futuro (e pelo presente) é toda nossa. Chega de desculpas, chega de comodismo.

É agora ou nunca.

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8 respostas para A Bicicleta, a Cidade e o Jardim

  1. Belo texto🙂 Vocês levaram os panfletos da Massa Crítica pra Bicicletada Jardinária? Se as pessoas chegam e simpatizam, é uma outra oportunidade de divulgar e fazer a Massa crescer! Quero muito participar da próxima jardinagem!

  2. Gente, também dei minha contribuiçãozinha textual sobre a Bicicletada Jardinária.🙂 http://bikedrops.wordpress.com/2010/08/31/primeira-bicicletada-jardinaria/

  3. Klaus disse:

    Lá na Vasco depois de plantar minha trepadeira eu convidei duas ciclistas que passaram pela gente mas elas até já tinham vindo em duas massas anterires!! Queriam saber se tinha saído com chuva…
    Depois convidei um ciclista lá no Largo.

    Gurias já instalaram o porta convites da massa?

    A foto que eu mais gostei foi a última,🙂

    Já descobri aqui em casa uma cesta bem grande de prástico para levar mais mudas de trepadeiras na próxima jardinagem. Vai caber uma centena de mudas, uhuuuu !!

    Lívia hoje no concerto ou amanhã lembra de trazer o capacete junto para prendermos o espelho,😉

  4. Oi Klaus! Já prendi o porta-panfletos, sim.😀 Vamo que vamo. Levo o capacete logo mais, então.🙂
    Beijins!

  5. Para quem quiser conferir, o Goura Nataraj, da Bicicletada de Curitiba, está como colunista interino da Gazeta do Povo e escreveu este excelente artigo… a Gazeta tem dado matérias muito interessantes sobre mobilidade urbana. Impressionante, pois é um veículo do mainstream. Nada é impossível.😉 http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1041979&tit=As-bicicletas-e-as-politicas-citadinas

  6. Perfeito o texto. É mudar as pessoas para que elas mudem realidades.

  7. Nazareth disse:

    Perto do largo dos açorianos, as mudas estão bem e mandaram lembranças. A Prefeitura cortou a grama, mas respeitou as mudas. Claro, muito bem protegidas por eficientes estacas!

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