Sobre a reunião na Câmara…

Na última terça-feira teve uma reunião da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (COSMAM), na Câmara de Vereadores de Porto Alegre para discutir o Plano Diretor Cicloviário da cidade. A reunião foi presidida pelo controverso vereador Beto Moesch, que alguns apelidam de “eco-facista” depois de um episódio para desalojar os índios do Morro do Osso e de tentar antecipar a lei que tira de circulação carroças e carrinheiros que recolhem materiais recicláveis (que esperamos que agora recebam triciclos e parem de ser perseguidos pelas autoridades).

O plano diretor cicloviário, dentro da realidade política tradicional da cidade, até que é um avanço: prevê a construção de ciclovias em todas vias que forem alargadas ou reestruturadas (embora alargar ou criar novas vias para carros seja um atentado à cidade e a saúde e vida das pessoas), prevê educação e conscientização do trânsito (algo apontado como uma prioridade por todos os ciclistas presentes).

O cronograma prevê a construção até o final do ano de uma ciclovia na Av. Ipiranga, sobre o talude do falecido arroio Dilúvio, que iria da Av. Beira Rio até a Cristiano Fischer. Difícil de imaginar que será concluída dentro do previsto, visto que as obras ainda nem começaram.

Uma das principais dificuldades apresentadas pelos técnicos da prefeitura é a falta de verbas destinada à vias para bicicletas. Xs ciclistas presentes apresentaram ótimas soluções de baixo custo para este impasse: como retirar o estacionamento de carros ao longo de certas vias e construir ali ciclovias ou ciclofaixas, e o compartilhamento dos corredores de ônibus com as bicicletas, como acontece na Europa, e não com os táxis, como vem estudando a EPTC.

A justificativas que o técnico da EPTC deu para não compartilhar os corredores de ônibus com os ciclistas, foi que, ao contrário do que acontece na Europa, os ônibus em Porto Alegre trafegam a altas velocidades, o que seria perigoso para os ciclistas. O fato é que isso não é perigoso apenas para os ciclistas, mas também para os pedestres e passageiros dos próprios coletivos. Já vi pessoas de idade caírem dentro de ônibus devido à maneira como os motoristas dirigem, e atropelamentos de pedestres acontecem com freqüência (segundo dados da própria EPTC, morrem em média umas 30 pessoas por ano vítimas de acidentes com ônibus). Os motoristas deveriam ser educados não apenas para respeitarem o ciclista, mas para zelarem pela segurança de pedestres e passageiros, e não apenas cumprir horários.

Além disso o técnico da EPTC fez uma ótima piada dizendo que táxi é um transporte público. Nem público, nem coletivo. Os táxis são de propriedade privada e sua eficiência de transporte é inferior a de um automóvel particular (que já é baixíssima), o que nos faz questionar porque a EPTC gostaria de compartilhar os corredores de ônibus com eles.

Ao final foi marcada uma próxima reunião para dali a seis meses, para verificar o andamento das obras e o progresso das reivindicações dxs ciclistas presentes.

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6 respostas para Sobre a reunião na Câmara…

  1. artur elias disse:

    obrigado pelo relato; eu estive na reunião anterior e teria ido a essa se pudesse; é fundamental que participemos em número expressivo; da outra vez o representante da EPTC se aproveitou do número relativamente pequeno de ciclistas presentes para tentar ironizar/enfraquecer nossa posição

    (eu não entendo muito bem como/por que esse pessoal divide pessoas entre “ciclistas” e “pessoas normais”; é um pouco como dividir as pessoas entre pedestres e motoristas – essas não são categorias biológicas nem de outra natureza; sou ciclista quando pedalo, motorista quando dirijo, pedestre quando caminho – mas esta é outra discussão)

    o poder público precisa sentir o “bafo na nuca”; uma pressão construtiva mas forte; aí as coisas vão começar a mudar

    proponho realizarmos uma ato fúnebre em homenagem à moribunda pista de ciclisjo do Marinha, com muita gente e imprensa!

    [ ]

    a.

    http://www.pespracima.blogspot.com

  2. Melissa disse:

    Artur, lembra qual foi o representante da EPTC que tentou ironizar vocês? Na de terça tava o assessor parlamentar Celso Pitol, que deu várias cochiladas e foi embora no meio, quando um ciclista começou a criticá-los e falar a verdade (e falou muito bem).

    Nessa reunião, o Beto Moesch disse que eles (não sei o que ele quis dizer com “nós”) conseguiram fazer uma lei que em todos os alargamentos de pista de POA é obrigatório construir ciclovia junto. Alguém sabe se é verdade? E se é, temos que ficar em cima, porque se não houver pressão a prefeitura provavelmente vai se fazer de “esquecida”.

  3. Igor Oliveira disse:

    Eu fui o ciclista que provocou a rendição do funcionario dorminhoco.

    Precisamos nos organizar para colocar a politica cicloviaria na pauta, e exigir a fiscalização das leis de transito que dizem respeito a bicicletas. Quem estiver interessado, me mande um email pelo mrigoroliveira@gmail.com.

  4. Rafael Diehl disse:

    Com relação ao alargamento ou extensão de vias, alguém saberia me informar se na obra que farão na Av. Grécia, em função da construção do shopping bourboun wallig, está contemplada a construção de ciclovia? Não consegui encontrar nada sobre o projeto, apenas alguns dados sobre desapropriações. Obrigado.

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