Massa Crítica Agosto: venha mudar a cidade conosco!

Queridos! Pessoas de bem!

Amanhã, como toda última Sexta-feira de cada mês, é Dia de Massa Crítica! Nos reunimos no Largo Zumbi dos Palmares (Largo da Epatur) às 18:15 para sairmos às 18:45 pela cidade, buscando trazer a visibilidade para os transportes saudáveis e para a integração humana!

Massa Crítica é uma celebração onde ciclistas e demais utilizadores de transportes de propulsão humana se reunem (no mundo todo) para declarar que NÓS TAMBÉM SOMOS O TRÂNSITO!!! Ou seja, que estamos aí, que temos e requeremos nosso lugar, e que vamos ficar e só aumentar em número e disposição!

Numa época em que tudo o que vemos são mais e mais carros nas ruas, e o incentivo para a indústria automobilística segue firme e forte enquanto, paralelamente, o carro continua sendo trabalhado como objeto de felicidade e bem estar, temos a oportunidade de reconhecer o quão sem saída (e acelerando para um muro bem grande e firme) essa via é! Porto Alegre tenta expandir suas vias de tráfego, não percebendo que a capacidade de expansão é largamente inferior a velocidade com que a frota de veículos aumenta.

Também parece escapar ao nosso filtro social e a nossa organização urbana que os carros. em última instância, não colaboram para o bem estar. Os carros são caixinhas de espaço privado, contido e controlado, que circulam em espaços públicos. Como sofás-com-rodas-teto-e-ar-

condicionado, são realmente muito confortáveis. Mas nos privam de uma niteração olho no olho que é essencial para percebermos que dividimos a mesma cidade com outros seres humanos. Nos privam de uma relação com o ambiente que convida a nos percebermos como cúmplices desse ambiente. Ocupam espaço demasiado, tanto circulando quanto parados, e esse espaço poderia seri aproveitado para coisas que colaborem com a vida e o bem estar efetivo da população.

Mais drasticamente, um carro dá uma ilusão de segurança pela sua aparente leveza, inspirando à velocidade constante. A cidade tem como prioridade o fluxo e parece não haver campanha de uso “correto” das faixas de segurança que dêem conta desse uso-não-uso. Os carros devem andar, mas e as pessoas? Que lugar as pessoas tem na cidade?

Os barulhos da cidade são os barulhos dos carros. Ou os barulhos de seu próprio crescimento. E é assim que estamos escolhendo viver.

Os carros são efetivamente acidentes esperando acontecer. Em Porto Alegre, a cada 2 dias, 1 pessoa morre em acidentes de trânsito. Se você dirige e nunca se envolveu em nenhum tipo de acidente de trânsito, você é absoluta minoria, e temo dizer que não deve seguir assim para sempre. Mesmo no caso de um acidente extremamente leve, me diga: como foi a situação emocionalmente? E em especial: como foi a relação com aquela pessoa que estava dentro do outro carro?

Parte de sua ilusão de segurança vem do isolamento, e parece que com ele estamos a salvo de assaltantes, a coqueluche do medo urbano atual. Mas isso não reflete a realidade de grandes centros urbanos, onde os carros, em parte por causa dos congestionamentos parailsantes, são alvo muito mais fácil para um indivíduo armado do que ruas cheias de gente transitando. Além disso, um carro precisa ser estacionado (em local público, ou mediante pagamento em espaço privado), e como fica sua preocupação ao deixar seu carrinho na noite da Cidade Baixa? Seria a mesma de não estar com ele?

Entendo que, mesmo assim, os carros propiciam confortabilidades. Se não fosse por isso, independente de todo investimento que há para transformar o carro em objeto de consumo, reflexo de status, sensualidade e virilidade, provavelmente não teriamos tantos carros sendo comprados diariamente. MAS o uso de carros como temos tido no país é simplesmente insustentável! E eu tenho certeza que se você anda no trânsito de uma cidade como Porto Alegre vai ter notado uma diferença significativa nos últimos 5 anos, que dirá nos últimos 10 anos.

Nós vivemos em um país que tem exemplos claros e contundentes como Rio de Janeiro e especialmente São Paulo. No entanto, não olhamos para esses exemplos. E eles não são só exemplos de como a quantidade de carros que geramos é insustentável, também são exemplos de como, mesmo em uma condição completamente insustentável, AS PESSOAS SEGUEM COMPRANDO E USANDO CARROS AMPLAMENTE!

Mas, como podemos não usar tanto os carros?

Vamos investir nossa energia pessoal e social (disposição, educação e dinheiro) em métodos alternativos de transporte. Vamos lembrar do nosso corpo, da cidade e das outras pessoas e construir meios que estejam de acordo com o bem estar comum!

Bicicletas não são uma dificuldade. Não são representação de pobreza ou status inferior. São fonte de uma constante felicidade! São, eu acredito, o veículo do futuro!

Hoje eu ando pela cidade inteira com minhas próprias pernas, impulsionando os pedais dessa maravilha simples e ecológica que me coloca em uma velocidade saudável, condizente (bem, quase sempre) com minha capacidade de parar e enchergar os outros e a cidade, e gerando um vento sem igual no meu corpo.

Mas, além das bicicletas, devemos imaginar, investir e fazer acontecer um transporte público de qualidade, abrangente e ecológico. E isso está longe de ser difícil demais.

Quando isso começa, não para mais. Lembramos como é bom (e às vezes ruim, mas, justamente, humano) conviver uns com os outros. E podemos pensar em métodos que integrem nossas vidas, hoje tão isoladas, nos pondo juntos como de fato estamos, mas não o percebemos.

E então, se você precisar usar o carro, talvez você se organize para enchê-lo com outras pessoas, evitando que aquela caixa de metal e borracha de quase 1 tonelada circule por aí ocupando espaço e com 1 único indíviduo dentro. (Você já parou em uma esquina movimentada para observar a expressão dos motoristas em Porto Alegre? Você já contou quantos deles estão sozinhos em seu veículo, e fez uma estimativa de propoção? Você acha mesmo que estar em um carro tem colaborado para a felicidade individual – quem dirá coletiva?) E talvez você o faça apenas quando sentir que necessita muito, e sua maneira de medir isso estará integrada com a formação da cidade, e não apenas uma forma individual (e eu posso taxá-la de “egoísta” para lhe dar um peso extra) através da qual normalmente realizamos todas as nossas decisões no dia a dia.

Portanto, amigo, me responda: em que cidade você quer morar?

E venha ao Massa Crítica celebrar essa cidade PARA AS PESSOAS que estamos agora mesmo construindo.

Esse post foi publicado em apocalipse motorizado, caos no trânsito, Massa Crítica, pedalada. Bookmark o link permanente.

11 respostas para Massa Crítica Agosto: venha mudar a cidade conosco!

  1. Excelente texto! Não é libertador saber que nosso corpo não está preso a uma bolha de metal? que ele pode se locomover por si mesmo? Lindo.

  2. Olavo Ludwig disse:

    Pedro, o texto emociona, e faz pensar como pode algumas pessoas não entenderem o sentimento vital que está por trás do simples fato de se transportar na cidade, e o quanto isto significa para cada um. As pessoas buscam desesperadamente sentido para suas vidas e simplesmente esquecem de vivê-las de uma maneira melhor a cada dia.
    E vivas a Massa Crítica!!!!

  3. paulo Roberto Gomes de Oliveira disse:

    Excelente texto. Mas infelizmente nossa cultura é o automovel. O individuo é valorizado pelo “ano” “marca” “potência” de seu carro. Seu conceito de poder é o automóvel. O proprio poder público, incentiva o consumo, os fabricantes são beneficiados com insenção de impostos com a desculpa de serem os maiores geradores de emprego. Mas está chegando a um ponto que a situação está insustentável nos grandes centros. Em São Paulo, p. ex. não ha mais condições de se andar de automóvel, pois ha engarrafamento monstruosos que duram uma manhã umatarde..
    Posso ser sarcástico, mas quando vejo estas reportagens, no fundo tenho uma sensação de “prazer” e divertimento, pois é bom que isso aconteça(que dure 1, 2, 3 ou mais dias trancados no trãnsito, pois só assim as autoridades se concientizam que o automovel é um problema qye não tem solução, se não for reduzido nas ruas. Portanto na atual situação, quanto mais trancar, mais demorar melhor!!!

    • Melissa disse:

      Eu odeio essa desculpa que as pessoas dão de que algo tem que continuar existindo porque gera muitos empregos. É um pensamento generalizado do tipo: “não importa o que se esteja fazendo, desde que esteja gerando emprego”.

      Mais de uma pessoa já me respondeu, quando eu disse que era vegetariana, que isso nunca vai funcionar porque “quanta gente vive disso”. A indústria bélica gera quantos bilhões ou trilhões por ano? Por isso as guerras não têm que parar?

  4. Melissa disse:

    Pessoal, não vão amarelar pra Massa de hoje por causa dessa chuvinha fina, né?! Chuva é boa!🙂

  5. Naldinho disse:

    Minha bike deu tilt no meio do caminho e tive que deixá-la no conserto.

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