Massa Crítica de julho – um breve relato pessoal.

Ilustração: Cabelo.

Coisa boa ver tantos amigxs e pessoas queridas lá, pedalando, sorridentes, transformando uma rua antes hostil às pessoas em um local divertido, seguro, nos mostrando que outra cidade é possível, basta querermos.

Como é bom ver tantas pessoas desconhecidas e diferentes, mas mesmo assim com tanto em comum. Formando uma massa cheia de boa energia e disposição para transformar nossa cidade em um lugar mais alegre, e simpático.

Dá uma leveza no coração conseguir arrancar um sorriso de alguém que estava carrancudo e estressado preso dentro de um carro. E ao mesmo tempo um sentimento de estranha compaixão por todos os outros que já estão tão imersos na cultura agressiva do automóvel que não percebem que são seres humanos que estão ali, frágeis, à sua frente e, ao contrário deles, sem proteção alguma além do apoio dos outros participantes da massa.

Como é bom poder olhar os pedestres nos olhos, sem um pára-brisa (pára-vidas?) no meio, e poder trocar breves palavras, simpáticas e um sorriso. Sorrisos, sorrisos, sorriso foi o que não faltou. E mesmo que houvesse tido apenas um, já bastaria. Mas não foi um, foram dezenas, centenas, foi mais de uma hora de sorrisos, alguns que duraram todo o percurso.

É claro que não foram só sorrisos e pela primeira vez houve um desentendimento dentro da massa, por alguém que não entendeu que, na Massa Crítica, ninguém impõe nada a ninguém. Pelo menos uma vez por mês, somos todos livres para pedalar por onde quisermos, a única regra é garantir a segurança de todos, isso é mais importante que qualquer lei. Mas isso parece que quase todxs sabem instintivamente.

Mas mesmo esses pequenos contratempos, só nos fortalecem. Nos preparam para a próxima, a maior Massa Crítica de todas! Quem diria que no começo do ano, éramos apenas meia dúzia de ciclistas, debaixo de uma chuva torrencial de verão. E ontem, até o clima colaborou. No meio do inverno, época tão fria e chuvosa, a noite estava morna e agradável. Impossível estar melhor.

Impossível? Eu acho que a próxima vai estar melhor ainda.

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16 respostas para Massa Crítica de julho – um breve relato pessoal.

  1. Klaus disse:

    Oi Marcelo!

    Eu adorei a massa. Que alegria enorme ver tantas pessoas bonitas e faceiras!!😀

    Bah, fiquei muito impressionado com a falta de sensibilidade do nosso amigo patinador que na primeira vez que veio quis assumir o ‘controle’ sem ao menos conversar sobre sua opinião com mais de 4 pessoas das mais de setenta que vieram só contando com a própria pose de suposto macho alfa do grupo e alguns gritos direcionados aos ciclistas como se nós fossemos o perigo ou o fardo ao invés de proteger o grupo dos carros.

    Para não darmos margem às situações perigosas de trânsito que o nosso novo amigo botou o grupo temos que formar um grupo que tenha bem definida as prioridades da massa que sem dúvida a primeira delas será a segurança do grupo ao invés de obedecer fielmente a leis que só protegem motoristas que estão protegidos por uma casca grossa de metal e esquecer que existem belíssimas leis que protegem o ciclista que no entanto são totalmente ignoradas pela EPTC. Zero é o número de motoristas que levaram uma multa por tirar fininho de um ciclista. Zero é o número de motoristas que foram multados por cortar a frente do ciclista em uma saída de avenida. Isso que a vida do ciclista esta no páreo e por isso essas leis deveriam ser especiamente fiscalizadas.

    Se isso não é motivo suficiente para protestar então eu não sei o que é,😉

    Isso que nosso protesto é uma grande festa e nem é um protesto por si só e sim uma bonita celebração internacional ao meio de transporte de um potencial futuro em que as cidades são democráticas e o ar é uma delícia.

    Abraços,🙂

  2. Melissa disse:

    Antes de tudo quero comentar que na Massa de ontem senti uma liberdade que jamais havia sentido em Porto Alegre. É um deleite que, por enquanto, se pode ter apenas uma vez por mês.

    Quando ao patinador, eu achei que ele devia ser da organização ou algo do tipo, porque foi a primeira vez que participei da Massa. Teve uma hora que ele me deu uma ordem em tom ríspido de ir pra outra pista, inclusive, mas eu tava tão feliz que nem dei importância, mesmo obedecendo. Espero, então, que ele leia esse post e reveja seus conceitos.

    A única coisa que não entendi é por que em algumas ruas gritavam pra dominarmos ela inteira e, em outras, deixar uma ou duas pistas livres pros carros. Não sei se isso tem a ver com a confusão do patinador, de ele dar uma “ordem” e depois outros dizerem outra coisa, mas queria entender isso.

    Acho importante não haver brigas por coisas tão pequenas, porque a Massa de ontem foi ótima, e não vejo a hora de chegar a próxima! Certamente, com a divulgação e o boca-a-boca entre amigos, ela só há de crescer!

    • Marcelo disse:

      Oi Melissa, tudo bem?

      Nas últimas Massas Críticas optamos por não ocupar mais de duas faixas por achar que não tínhamos ainda gente suficiente para ocupar mais de duas faixas com uma densidade suficiente para garantir nossa segurança.

      É importante mantermos uma certa densidade para que carros e motos não entrem no meio da Massa, colocando a nossa vida em risco. Por isso, nas avenidas com mais de duas faixas, como na Ipiranga e em partes da Av. Goethe, optamos por deixar uma faixa livre.

  3. Atilio disse:

    Estou usando bicicleta como meio de transporte. Recentemente, comecei a fazer o trajeto Bom Fim – Campus do Vale da Ufrgs. Antes, eu achava impossível fazer isso, mas depois que comecei, passei a achar inacreditável que muito mais gente não vá de bike. Tanto porque é muito bom, divertido, quanto porque é mais barato (pra mim e pra cidade), civilizado etc. Me sentia sozinho nessa vontade de usar a bicicleta como meio de transporte, mas fiquei muito feliz de ver tanta gente boa interessada nisso. Sempre que houver massa crítica, estarei lá.

  4. Olavo Ludwig disse:

    Foi sensacional!
    E quanto aos conflitos que existiram ou possam ainda existir em futuras massas, nada mais que o normal, quanto mais gente, mais opiniões e ideias podem divergir, mas uma coisa é certa, controle sobre a massa ninguém terá. É uma celebração sem chefes. Se durante a massa alguém gritar contigo, sorria e mande relaxar.

  5. Klaus disse:

    Todas massas funcionam muito bem pois entre todos sempre ha uma conciência coletiva em que a opinião de todos tem igual valor e uns cuidam dos outros.

    Fazer parte dessa conciência coletiva é uma sensação fantástica. Espero que caso o patinador venha novamente ele perceba que sua opinião tem muito valor porém é tanto valor quanto de todos outros e essa opinião não pode ser imposta pois um que assuma uma posição de líder compromete a conciência coletiva que por sua vez compromete a segurança do grupo pois a inteligência de um indivíduo jamais será maior que a inteligência de um grupo de várias pessoas como da Massa Crítica.

  6. Caroline disse:

    Muito massa! Cheia de gente, foi demais.

    Infelizmente não poderei participar da próxima porque estou de mudança, mas tenho certeza que ela só vai crescer.

    alguém sabe onde estão as fotos e vídeos de ontem?

    obrigada,

  7. Diego de Lima disse:

    Parabéns a todos pela participação, estava realmente especial a “festa” desta vez!

    Bom, eu fiz vários vídeos da Massa, dos carros, enfim da coisa toda, e pretendo fazer uma edição bem básica pra o evento de Agosto. Foram muitas tomadas mesmo, ficaram bem boas, então dá para desenvolver alguma coisa bacana em cima para divulgar e incentivar o pessoal a participar. Então se alguém tiver desenhos, textos, idéias, enfim qualquer material que possa agregar, por favor entre em contato ou envie para o meu e-mail.

    diego_de_lima arroba hotmail ponto com

  8. Olavo Ludwig disse:

    Pessoal, é importante trazer cada vez mais gente,quem sabe um dia a gente ultrapassa os 50 mil de Budapeste.

  9. Diego de Lima disse:

    Vídeo da Massa Crítida de Julho:

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