Já é hora.

Eu tava lendo um post no blog da Associação Ciclística Zona Sul (ACZS) quando me deparei com o seguinte parágrafo:

“Fizemos uma pesquisa em Porto Alegre e ela demonstrou que 95% das pessoas que têm carro também têm bicicletas, mas que não as utilizam por medo de acabar atropeladas”, disse. Atualmente, a instituição conta com 120 associados.

Não consigo acreditar que um dado como esse seja verdade. Se for, qual o problema com as pessoas? Seguido alguém me diz que não usa a bicicleta como transporte porque é muito perigoso, portanto usa carro, o que me deixa furioso, porque essa pessoa não se dá conta de que está deixando o trânsito mais perigoso ainda.

Mas 95% dos proprietários de carro pensar assim?! Pô gente, chegou o momento. Se a partir de hoje, vocês deixarem o seu carro em casa, daqui a dois dias só haverá 5% dos carros que têm hoje nas ruas. E ninguém vai poder dizer que a cidade precisa de ciclovias, pois já será uma grande ciclovia.

Quer ver um trânsito mais humano e seguro? Livre-se do seu carro. Não tenha medo de ser o primeiro, você não é, têm outras pessoas fazendo isso. E assim que você deixar de ir de carro as ruas já estarão um pouquinho mais seguras para ciclistas e pedestres.

Só se for agora.

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4 respostas para Já é hora.

  1. Helton disse:

    Eu particularmente atribuo essa situação a duas coisas, ou melhor, dois conceitos: “zona de conforto”, e “”tradição”” (em aspas duplas).
    Vejamos um exemplo solto: quem cresceu em cidade grande sabe muito bem que tem que olhar vinte vezes antes de atravessar a rua, que “rua é lugar de carro”, que “rua é perigoso”, lembra muito bem da histeria das mães durante a infância, para realmente desenvolver esse instinto. Pra nós urbanos, atravessar qualquer rua sem olhar é como apontar uma arma para a própria cabeça e apertar o gatilho sem ver antes se ela está carregada ou não.
    Por que digo isso? Porque esse é um forte exemplo de “”tradição””: algo que está tão enraizado e é tão normal que já nem se questiona mais, que por mais absurdo que seja não causa surpresa ou espanto.
    Pergunto: será que a maioria das pessoas pensa como nós ciclistas, já há vários anos adubando essa mentalidade de subversão, que temos nossos motivos e já fizemos e refizemos mil vezes esse ciclo de reflexões? Eu acho que não.
    Em sendo assim, imaginemos o cenário: a pessoa tem sua bicicleta, para supostamente dar uma pedalada tranquila, sem compromisso, em um momento de lazer. Isso porque, “evidentemente”, a bicicleta não é um equipamento (não vamos nem falar em veículo) destinado a qualquer uso que não seja de lazer, exercício, passeio, ou coisa assim. A pessoa não possui aquele objeto para transporte, ela não associa aquele objeto a transporte, ela não COMPROU aquilo para se transportar, mas sim para ter prazer passeando. Essa é a verdade para 95% dessas pessoas, e não há nada de errado com isso, diria eu (gostaria de debater sobre isso se for o caso).
    Agora, quem em sã consciência vai olhar para o nosso amado trânsito e sentir a mínima vontade de mergulhar nessa corredeira de estresse, barulho e ameaças físicas constantes, de bicicleta, esperando obter disso um mínimo de prazer?
    Eu, sinceramente, ando de bicicleta para o trabalho muito mais por não querer usar outros meios de transporte do que propriamente por gostar de andar de bicicleta. E isso que eu AMO andar de bicicleta, muito mesmo. Mas não nesse trânsito pavoroso. Preferia mil vezes pedalar somente por estradinhas desertas, em meio a paisagens bucólicas. Ou mesmo em condições totalmente diferentes de infra-estrutura, civilidade, etc.
    Infelizmente, usar a bicicleta em POA hoje como um substituto do automóvel requer uma dose significativa de convicção, auto-sacrifício, insistência e teimosia. Sei que para mudar isso há que se fazer algo, como nossas micro-bicicletadas individuais cotidianas, mas infelizmente a coisa não está mole, e acho que ainda vai demorar um bom tempo para que se possa recomendar amplamente o uso de bicicleta para transporte sem estar dando uma de “amigo-da-onça” involuntário…

  2. Geisa Alves disse:

    sim Marcelo, é verdade, pergunta pra alguém se essa pessoa possui carro, depois se ela tem alguma bicicleta parada em casa. Segundo pesquisa do PDC, somente 1% da população de POA usa a bike para se locomover; em outros paises da Europa essa porcentagem sobe para 8%, mas, o transporte público é muito utilizado também (principalmente metrô e trem).

  3. Olavo Ludwig disse:

    Marcelo,

    Nem no dia mundial sem carro, o pessoal deixa o carro em casa! Na verdade, no último dia mundial sem carro, em setembro passado, o dia estava lindo com um Sol maravilhoso, e ao mesmo tempo um clima agradável, sem frio nem calor excessivos, e me pareceu que tinha mais carros na rua do que nunca. Além do medo existe também a preguiça, o não querer suar um pouco, e até mesmo a total falta de pensar na possibilidade de usar a bici como um meio de transporte.

    Helton, mesmo nessa selva, eu ainda sinto muito prazer sim em usar a bicicleta como meio de transporte, e muitas vezes mesmo, eu consigo relaxar totalmente, não escuto o barulho, não percebo a poluição e aproveito cada mg de endorfina.

    Eu recomendo o uso, mas aviso dos perigos, dou dicas de direção defensiva na bicicleta, a pessoa tem que ter uma certa coordenação e atenção para andar de bici no trânsito, mas confesso que tenho medo de recomendar o uso por crianças menores de 15 anos. Menores de 15, por favor, podem ir de bicicleta, mas pela calçada e bem devagarinho, e para quem começa e não sente segurança de pedalar na rua, eu recomendo também a calçada, mesmo sendo ilegal! Mas vá devagarinho mesmo!!!

    A maioria das pessoas tem bicicletas com pneus murchos sempre, acabam não usando nem para o lazer.

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