Duplicando os problemas.

Vista aérea da orla do Guaíba. Ivo Gonçalves/PMPA

Já em agosto devem começar as obras de duplicação da Av. Edvaldo Pereira Paiva, mais conhecida como Av. Beira Rio. Ela faz parte das “melhorias” viárias previstas para melhorar a mobilidade na cidade para a Copa de 2014.

Melhoria? Para quem?

A Beira Rio já é uma das das avenidas onde os motoristas mais correm em Porto Alegre, com duas pistas “êba” vai dar para correr ainda mais. Fora que será ainda mais difícil para os pedestres atravessarem a pista, afastando ainda mais a bela orla do Guaíba da população de Porto Alegre. Mas as coisas andam tão deturpadas que o próprio prefeito da cidade, José Fortunati, disse que a obra é “um elemento qualificador da paisagem da orla”(!). Por favor, sr. prefeito, nos diga de que maneira quatro pistas de asfalto ou concreto cheia de carros barulhentos irão contribuir para a paisagem, no mínimo o senhor tem um gosto muito duvidoso.

Isso para não falar o óbvio: quanto mais obras a prefeitura fizer priorizando os automóveis particulares, mais as pessoas se sentirão incentivadas para utilizarem seus carros, ou seja, logo estará tudo congestionado de novo. Dava até para apostar que, caso esta duplicação esteja concluída ano que vem, como é o previsto, até 2014 já vai estar tudo congestionado de novo, como se nada tivesse acontecido.

O pior é que não para por aí, a Av. Voluntários da Pátria já está sendo duplicada. Ô coisa boa, vejam como o alargamento da Av. Farrapos valorizou a região.Vejam como a 3a. perimetral transformou a Dom Pedro em um local bem mais agradável.

Puxa vida, parece que esses que se dizem nossos líderes não consultam pessoas que entendam pelo menos um pouco de mobilidade urbana. Seria ótimo se eles consultassem o Professor Luis Antônio Lindau, da UFRGS, especialista em transporte, que disse que para termos uma cidade com tranporte de qualidade e sustentável é preciso “um espaço viário bem designado e bem caracterizado para o pedestre, para o ciclista, para o transporte coletivo e para o transporte individual, mas nessa ordem e não o inverso”. Numa entrevista ao Jornal da Capital, ele também disse: “Quanto mais indiscriminado for o uso do carro, o congestionamento só vai se alastrar nessas vias. Não tem saída. Não é uma faixa aqui, um viaduto ali que vai mudar isso.”

Mas será que precisamos consultar especialistas para nos darmos conta de que o tranporte urbano baseado no automóvel particular é um sistema falido, inseguro e ineficiente no uso de espaço, combustível, recursos naturais? Até quando vamos ficar alargando avenidas e construindo viadutos? Até os pedestres terem que caminhar sobre os telhados? Até que metade da população morra ou seja mutilada em acidentes ou por câncer?

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27 respostas para Duplicando os problemas.

  1. Udo C Weissenstein disse:

    Bah! Acabei de ver o vídeo do trânsito de Utrecht, e isso (materia acima) me parece totalmente na contramão do bom senso… A questão é: Por onde se iniciará (no Brasil) um novo rumo para MOBILIDADE URBANA ? Na minha cidade não é diferente. Sabemos o que é certo, mas a gente sempre espera que os outros comecem primeiro. – Abraço

  2. Olavo Ludwig disse:

    Porto Alegre tá na contramão faz horas!!!!!

  3. Klaus disse:

    E aí, como vamos protestar?

    Essa é a pergunta, esse é o caso. Não adianta remoer as decisões desses que lideram pelos grandes empresários entre eles os vendedores de carros e peças de reposição para carros.

    Dia 28 de maio teremos mais uma massa crítica. Eu estarei lá!

    Precisamos fazer uma faixa reclamando desses que governam em nome dos empresário ao invés de governar em prol das pessoas. Como seria essa frase?

  4. Klaus disse:

    “Uma cidade evoluída investe em meios de transporte inteligentes como a bicicleta e o transporte coletivo. A duplicação da orla irá afastar as pessoas dela e estimular o uso do automóvel poluindo ainda mais o ar e os congestionamentos estarão de volta muito antes de 2014!!!”

    Que tal?

    • Marcelo disse:

      Eu acho boa, Klaus, mas acho que para uma faixa teria que ser mais curta.

      Temos que realmente fazer um protesto. O problema é que para chamar mais a atenção teria que ser em horário comercial, e daí poucas pessoas poderiam participar. Alguma sugestão?

      Já aproveito a todos para lançarmos essa discussão no grupo em: we.riseup.net/massacriticapoa

  5. Giovani disse:

    Uma idéia (me proponho a pesquisar como fazer)
    Desenvolver uma proposta de crescimento sustentável do transporte para esta área – junto como Professor Luis, e “protocolar” na camara de vereadores com abaixo assinado – chamando todos os assinantes do Poa Bikers para apoiar.
    Em PVT (para não esculhambar a lista) os que acham que a idéia para de pé (pode ter resultado).

  6. Sergio Surdo disse:

    Nós, os ciclistas, precisamos fazer algo. E urgente, antes de sermos banidos das grandes metrópoles por estes incompetentes administradores. Um mega protesto, tipo os feitos pelo MST.

  7. Jacinto Pinto disse:

    Bem vindos a Terra Brasilis, onde o absurdo é visto como “única solução” ou até “melhor solução. Estou esperando a estatística mostrando o resultado da redução de IPI para compra de carros, inclusive as categorias mais poluentes. Teve também o aumento de impostos sobre combustíveis, cujo acrescimo maior foi colocado sobre o Diesel, aumentando proporcionalmente os custos do transporte público.

  8. Aguiarcycles disse:

    Meu comentário a respeito da duplicação da av. Beira Rio, é uma pergunta.
    Aonde estão os vereadores de Porto Alegre que se elegeram com o apelo e apoio dos ciclistas da cidade?
    “Gostaria de saber se agora alguém se manifesta”

    • Klaus disse:

      Pois sabe que tem um em especial que eu quase votei. Aí um dia antes da eleição digitei Mauro Zacher no google e descobri diversas investigações de corrupção contra ele. Triste que ele acabou eleito por larga margem. Deve ser pelo pouco acesso que as pessoas tem à internet. Não vale nada esse cidadão profissão político. Mostra uma cara e na verdade não tem nada a ver, só quer saber do infeliz ‘poder’ que hipnotiza os pobres de espírito. Ele ia até nos passeios conversar com os ciclistas,😦

  9. Charlie disse:

    (Desculpem os erros de portugues e a falta de acentuacao. Ainda nao aprendi tudo. rs)
    Acho muito exagero falar em “as pessoas se sentirão incentivadas para utilizarem seus carros” e que a duplicacao nao deveria ocorrer. Nao adianta, a maioria sempre vai depender de andar de carro, e isso só tem a crescer. A maioria das cidades se adaptam fazendo grandes obras. Aí em Porto Alegre nao será diferente. O dia que me disserem para pegar um meio de transporte alternativo, uma bike por ex., para ir ao trabalho eu vou só rir da cara do cidadao. Imagina sair da ZN para ir ao centro de bike. Piada! Nao sou maratonista. Metro? Nao vai resolver pois teriam que ser intermináveis linhas para fazerem algum efeito, e é uma obra que duraria décadas e mesmo assim como se ve em NY, SP ou Paris “só ajudam” mas os congestionamentos sempre vao existir pois a populacao só cresce.
    Pegando Paris como ex, indo ao centro vc AS VEZES até nao vê congestionamentos, muitas pessoas andando de bike (mas apenas as que moram pela regiao), mas ao redor vc nao acha 1 lugar sequer para estacionar. Os prédios sao antigos e nao tem estacionamentos próprios entao o caos fica maior ainda. RARAMENTE você encontra vaga em estacionamentos fechados, e quando encontra é uma fortuna. O Metrô funciona muito bem, organizado (nao sei se em todos os locais) mas lá em cima o congestionamento continua. A duplicacao da Beira Rio vem sim pro bem, assim como algumas Av da ZN de Porto Alegre estao saturadas e obras já estao previstas.
    Engraçado é ver tantos especialistas em engenharia de tráfego e afins falarem tantas coisas “contra”. Pra mim é só pra aparecer. Sao tao “donos da verdade” que só eles estao corretos, o resto que planejam/planejaram as obras em várias cidades estao todos errados.
    Nao adianta, a populacao cresce e por consequencia a cidade também tem que crescer, expandir. Nao é só as pessoas comum, a disputa é grande com veículos em servico. Esses entao jamais teriam como ir atender um cliente em cima de uma bike. Na TV até parece que algumas cidades o problema foi resolvido, mas vivenciar pessoalmente o transito é muito diferente. Muita coisa pode melhorar, mas dizer que uma duplicacao nao vai fazer diferenca é demais.

    • Marcelo disse:

      Charlie,

      A duplicação vai resolver os problemas só para quem anda de carro – e por certo tempo, pois se seguirem investindo dinheiro para melhorar o trânsito de automóveis individuais (e deixando de investir esse dinheiro em transporte público) é inevitável que a frota de veículos vai continuar aumentando e os congestionamentos vão continuar crescendo.

      Ao contrário, se esse mesmo dinheiro for investido em transporte público e incentivos ao uso de bicicleta, existem práticas baratas como a feita em Bagé (veja o post anterior a este) que garantiriam que pessoas como você que moram longe de onde trabalham, não tivessem que pedalar 50km todo dia, nem pegar três ônibus para chegar ao trabalho.

      Por mais que se queira, não existe espaço na cidade para que todo indivíduo adulto tenha um carro.

      Carros são úteis em algumas situações: emergências, viagens. Mas são uma solução capenga para se fazer transporte urbano diário para o trabalho – e de fato só parecem ser uma solução porque o transporte público é caro (embora seja muito mais caro manter e andar de carro) e muitas vezes precário.

      Mas mesmo em emergências, pelo menos entre os meus conhecidos, conheço mais gente que morreu por causa de carros do que foram salvas por ter um na garagem na hora de uma emergência (pais de três amigos meus e dois colegas de infância).

      Duplicação não é de forma alguma a solução, vai mascarar um sintoma, mas ele vai voltar pior daqui a pouco tempo. É melhor investir em algo que trará uma cura permanente, não?

  10. Giovani disse:

    Carlie,
    vc esta certo. Toda duplicação ou ampliação de estadas ou ruas traz benefício para a sociedade. Eu mesmo se preciso sair a noite, ir a um hospital ou coisa que o valha uso carro. A questão aqui é a forma como as coisas são feitas. Achamos que é neste momento, em que já se tem a verba e um bom motivo (copa) podemos aproveitar para agregar mais alternativas de cicloturismo a transporte coletivo a proposta.
    Se não ficamos como estas vagas e lentas propostas de ciclovias que temos hoje.
    É somente uma forma de tornar o projeto melhor ainda, falando por uma parcela menor da população (os que adorariam utilizar bikes 100% do tempo) – que nem sempre é ouvida. Em tempo…

    Segue um link muito interessante da Cidade das Bikes e como as pessoas aparentam viver melhor:

    http://g1.globo.com/jornalhoje/0,,MUL1438232-16022,00-CONHECA+A+CIDADE+DAS+BICICLETAS.html

    Abraço.

  11. Paulo roberto disse:

    Como já é sabido, os interesses de grandes seguimentos financeiros sempre estiveram acima do bem comum. Não ha interesse em propagar ciclovias em P.Alegre, visto que caso fôsse incentivado o uso de ciclovias, empresarios de ônibus teriam seus interesses prejudicados, embora pareça em um percentual pequeno, mas significativos nos seus lucros, o que já basta para que interfiram no processo de construção de ciclovias. Alguem duvida de quantas campanhas de vereadores foram financiadas ou ajudadas por estes seguimentos financeiros?
    Lembram na campanha do Fogaça, quando este prometeu fazer uma ciclovia na Av Sertório?
    Já imaginaram se ligassem todos quadrantes de Porto Alegre com ciclovias bem seguras? Quantas pessoas deixariam de andar de ônibus ou carro embora muitas ou poucas vezes por semana? Qual seria o prejuízo financeiro a determinados seguimento, como empresarios de ônibus, postos de combustiveis, por exemplo?
    Pelo que consta a verba destinada à construção da 3a. Perimetral, estava incluida uma ciclovia em toda extensão. Retiraram do projeto..Porque? A quem interessava?

  12. Udo C Weissenstein disse:

    Sou a favor de megaprotestos, cfe mencionado por alguém acima, que nem me lembro mais d8) ! Porém, sugiro ao estilo INVERSO do MST (queremos ser amados, e assim valorizados, não odiados/renegados). Que tal o grupo adotar uma praça e transformá-la na mais bonita da cidade (com direito a espaço publicitário). Já participei de duas bicicletadas no passado e elas, assim como o “massa crítica” deixam a sua marca no momento em que acontece, e tem o seu mérito é claro, mas uma obra duradoura, por mais sujeita a depredação e ao vandalismo, pode, aos poucos começar a concretizar os anseios da comunidade ciclística… (Não sou candidato! Hehehe!) Abraço

  13. Alexandre Pereira Santos disse:

    Parabéns a todos pela discussão. Mostra um nível raramente elevado em debates sobre mobilidade e é um alívio perceber que existe mesmo uma ‘massa crítica’ em formação.
    Nunca participei de bicicletadas ou campanhas, mas trabalho diretamente com a questão do trânsito e mobilidade e vivo cotidiana, se não diariamente, a ‘aventura’ de se locomover de bicicleta por Porto Alegre. Sou arquiteto e urbanista, trabalho e penso sobre isso a maior parte do meu tempo e vejo que nesta discussão acima algumas posições ideologizadas aparecem de maneira taxativa, algo como ‘a voz da realidade’ e gostaria de questionar isso.
    Sobre os comentários de Charlie, longe de querer pessoalizar o debate, mas apenas obetivando a discussão, gostaria de lançar a provocação que essa é uma típica postura de um fatalismo anti-autonomista que é uma das bases pro discurso desenvolvimentista-liberal “de boteco” ou seja, aquele que a gente normalmente usa com os amigos e nesse tipo de discussão.
    Ele carrega consigo uma impossibilidade de contornar as tendências ‘impostas’ pela sociedade a determinado fenômeno e isto, na minha opinião, é um erro. A sociedade é composta de individuos, de decisões individuais ou de pequenos grupos e hoje na nossa estrutura política (brasileira, gaúcha e porto alegrense) temos mais oportunidades de participação do que nunca antes. Culpar gestores, técnicos ou mesmo legisladores pode ser o primeiro impulso, mas as iniciativas da sociedade civil organizada tem possibilidades muito mais amplas hoje. Há um Conselho Municipal do Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Porto Alegre (chamado de CMDUA) que aprova todo e cada projeto excepcional executado na cidade e na sua composição há 1 terço do poder público municipal, 1 terço de entidades de classe das áreas afins e outro terço da sociedade civil organizada. Os projetos da Orla passaram por lá. Além disso, há a Comissão de Análise Urbanística e Gerenciamento (CAUGE), que é onde as secretarias do governo discutem os projetos.
    O que quer dizer com isso? Que há amplo espaço para mobilização ao redor dessas questões e elas devem ser debatidas mais seriamente. Como vemos nos depoimentos do Lindau e dos outro membros dessa lista, há um sem fim de alternativas ao transporte veicular individual sobre o qual há hoje quase que um consenso sobre sua impossibilidade de sustentação a médio e longo-prazo na maioria das cidades e a curto nas megalópoles. Isso não sou eu que digo, são especialistas na área como o próprio Lindau e Jaime Lerner no documento “Porto Alegre: uma visão de futuro” publicado pela Camara de Vereadores aqui de Porto Alegre.
    Sobre as cidades mencionadas (São Paulo, Nova Iorque, Paris), gostaria de dizer, sem nenhuma afetação ou esnobismo, que as conheço todas, assim como outras metrópoles assim como tenho razoável conhecimento sobre seu planejamento urbano e ao redor da mobilidade. Nova Iorque é o exemplo mais conhecido de transporte intensivo de massa e dos sistemas que conheço é dos mais eficientes. O problema é o custo altíssimo de operação e expansão de todo o sistema que se resolve Manhattan, não beneficia da mesma maneira o Queens, bom pedaço do Brooklyn e dos bairros ao norte como o Bronx. Isso sem falar em todo o fenômeno do commuting a partir de Nova Jérsei. Sobre Paris, ela está implantando sistemas mais leves sobre trilhos em superfície e investindo em outras formas de transporte para suas área metropolitana, assim como restringe de maneira intensa o uso do veículo nas áreas centrais. Lá, como em Londres, fica claro que o carro individual é insustentável a longo prazo e tem até mesmo que ser combatido com medidas de pedágio, supressão do número de vagas dos estacionamentos e aumento de impostos. Em outras palavras, exatamente o contrário do que apregoado no discurso fatalista de que se “necessita” de automóveis e de que as pessoas “vão dirigir” porque realmente “precisam”.
    Outras cidades, especialmente na Alemanha e Holanda, também investem pesado em transporte cicloviário porque percebem que grande parte da população se beneficia direta e toda a população indiretamente.
    O transporte cicloviário só não interessa por razões de pré-concepção sobre os modais “aceitáveis” aqui no RS e por razões econômicas junto da indústria automobilística e de obras viárias, pois tende a reduzir o investimento nelas. Além disso ele beneficia os bairros por onde os ciclistas trafegam que tem olhos mais atentos as vitrines do comércio e mais propensos a fazer paradas ao longo do trajeto, ao contrário do senso comum.
    Sobre ir de bicicleta da Zona Norte ao centro, realmente é um problema especialmente pela velocidade e selvageria do trânsito, mas já comprovei que é dos trajetos mais tranquilos (planos, retilínios, desimpedidos) de se fazer fora dos horários de movimento. Fica outra provocação aqui de que, neste caso, o problema não é o clima, a topografia, mas a falta de uma ciclovia de 2 metros de largura que permita o trânsito ao longo de toda a Av. Sertório, por exemplo. Isso é menos do que uma faixa de rolamento de automóveis, certamente terá um custo muito menor de manutenção e pode ser feita sem grandes obras viárias, pois alí os recuos para expansão da malha viária são todos respeitados.
    Bueno, peço desculpas pela extensão da missiva, mas acho que o assunto é importante e busquei contribuir um pouco nas minhas capacidades. Grande abraço e boas pedaladas.

  14. Giovani disse:

    Pessoal,
    somente para atualizar a discussão iniciada neste fórum.
    Conforme comentei fui a camara de vereadores para obter mais informações sobre o projeto. Lá fui encaminhado (conhecido também como “Vai-na-venda”) para a prefeitura SMOV. Após bater bastante perna, consegui o e-mail do Secretário geral da SMOV e da Assessora de Imprensa da SMOV. Mais um “Vai-na-venda”, agora estou na EPTC. Mas nestes contatos todos descobri a Comissão da Copa (pasme) – uma comissão da prefeitura que esta responsável pela condução dos assuntos relacionados a Copa (entre eles as obras em questão). Bom o Dom Quixote aqui vai continuar tentando… agua mole em pedra dura….

    Abraço.
    Giovani

  15. Pessoal, seguinte: ouvi de tarde no rádio a triste notícia de que o ministro dos transportes liberou verba da duplicação, mas cancelou a verba das ciclovias em porto alegre!
    Outra coisa, estive em Sampa e quem me conhece sabe bem que sou uma paulistana que, nasceu num bairro gaudério de lá! Andar de metrô naquela cidade é muito bom e rápido, porém nos horários de pico caem coisas nos trilhos e param-se os trens e as pessoas ficam prensadas dentro dos vagões cheios! Tem ainda um lance novo, do ano passado para cá que, são os empréstimos de bikes e estacionamentos seguros da estapar em muitas estações do metrô. Uma pena para meus pés que, não mais vivo lá, e sendo assim, só emprestam aos que apresentam comprovante de residência e outros quesitos. Fiquei impressionada em ver a valentia dos ciclistas paulistanos em meio ao trânsito pesado e abalrroado nas avenidas grandes , como a Paulista, Consolação, Rebouças, etc. Mas lá me informou uma atendente de loja de bike na pompéia que os ciclistas já se utilizam da ciclovia na marginal Tietê. (eu não vi!) no mais outra notícia do rádio a 3a. perimetral irá avaliar a circulação dos taxis nela, apenas que eles nem poderão parar para desembarcar passageiros, e nem para os apanhá-los na mesma.
    Att

  16. Mariana Grangeiro disse:

    Gente, quando li essa notícia, dias atrás, mandei um email para o Secretaria Municipal de Obras e Viação de POA, Sr. Cássio Trogildo, cujo endereço encontra-se no site da prefeitura. Obetive a seguinte resposta:
    “Prezada Mariana. Obrigado pelo seu contato. No Edital para esta licitação previmos a construção da Ciclovia ao longo da via a ser duplicada. Informamos também que Porto Alegre aprovou recentemente na câmara Municipal um Plano diretor Cicloviário que prevê a execução de quase 500 KM de ciclovias. Estamos também em execução em um trecho na Restinga. Atenciosamente, Cássio Trogildo.
    Secretário Secretaria Municipal de Obras e Viação
    Telefone:3289.8832
    E-Mail: cassio@smov.prefpoa.com.br
    Então pelo menos, aparentemente, vai ter uma ciclovia na Beira-Rio… É pouco, mas é alguma coisa!😉

  17. Charlie disse:

    Oi, novamente.

    Nao entendi muito bem o que o senhor Pereira quis dizer mas parece que fui rude ou radicalista algo do tipo. Nasci na Holanda, nao domino muito bem o portugues brasileiro. Desculpe se minhas palavras sao interpretadas de outra maneira.😉
    Ja disseram-me que sou grosso falando o portugues. hehe
    Meu colega ja trabalhou em alguns projetos antigos em NY, onde dei uma observada e atualmente preve em Paris onde já citei que muitos problemas estao acontecendo novamente com a falta de espaco. Quando vim a Porto Alegre pela primeira vez percebe-se que a implantacao de bikes é muito complicada principalmente por nao ser uma cidade plana. Na chamada zona sul entao me parece o pior local pra algo desse tipo. Nao vejo sentido em falar de cidades pequenas como “Bagè” pois o movimento e populacao é bem menor. Bobagem! Nao conheco a historia da cidade Bage, mas vou falar o que geralmente vemos por ai (se estou errado, desculpe): cidades que comecam a crescer hoje, é muito mas facil o planejamento, a reurbanizacao, maiores chances de mudar as vias, fora a movimentacao menor.
    Uma cidade antiga como Porto Alegre temos muitos impecilios, distancias muito longas, irregularidades geograficas, etc…
    Um onibus que carregue duas ou tres bicicletas nao resolve nada em uma cidade grande. A nao ser que deem um jeito de fazer como nos metros, onde é permitido a entrada de bikes dentro de vagao, mas seria complicado pela quantidade de gente residente numa grande metropole. Ou como citei, metro resolveria bastante, mas quanto tempo demoraria pra implantar kilometros?
    Se dá pra fazer o que voces lutam por aqui? Sim! Mas o investimento é em um prazo muito maior, grana que envolveria o setor privado que seria um grande impasse (e é em outras cidades) por elas teriam que investir alto pra já. Pelos dados me parece que a maioria do transporte que é usado na regiao é privada.
    O que é mais facil? Duplicar em alguns meses uma Av., replanejar outra, etc…
    Nao dá pra parar e dizer: vamos investir no transporte publico/privado(metro, que exigiria MUITO dinheiro e onibus) e deixar pro lado duplicacoes, nao investir ali.
    Infelizmente a medida mais emergencial TEM que ser a duplicacao da Ave. Beira Rio, que necessita e é mais descomplicada que fazer algo a longo prazo. Vejo é falta (ou roubo) de dinheiro aqui em Porto Alegre pra fazerem os dois projetos avancarem juntos.
    Nao quis discordar de voces, falei mais sobre dizer que a duplicacao nao é “bem-vinda”.
    Ou estou errando na interpretacao. hhe

    []s

    • Marcelo disse:

      Oi Charlie,
      Existem diversas opções mais baratas (e eficientes) para facilitar o transporte urbano do que duplicar avenidas e construir viadutos. Subsidiar a passagem nos ônibus, taxar a circulação de carros no centro, instalar dispositivos de controle de velocidade e que impeçam o tráfego de automóveis em alta velocidade (o que já tornaria as vias mais seguras para o tráfego de bicicletas sem grandes investimentos), destinar faixas já existentes de grandes avenidas (como a Ipiranga) para o uso exclusivo de ônibus. Isso tudo é muito barato em comparação ao que se gasta para manter o fluxo de automóveis tolerável.

      O metrô é muito caro, mas um trem leve que circulasse em corredores é uma opção bem mais viável e quase tão eficiente quanto. E com o dinheiro que se gasta para fazer uma única linha de metrô, poderia-se fazer uma rede muito maior que convenceria muito mais pessoas a deixar seus carros em casa.

      A maioria das pessoas que não usam a bicicleta como transporte, mas têm vontade, afirmam que não o fazem pois é muito perigoso, e não por causa do relevo, ou porque não têm ciclovias.

      Existem maneiras de se locomover pela cidade sem o uso do carro. O problema é que o carro é o mais incentivado – com muita publicidade e muito investimento público (isenção de impostos e investimento em infra-estrutura). Muita gente usa carro sem necessidade, eu era um que até uns anos atrás tinha um carro sem necessidade. É preciso dificultar a utilização de automóveis particulares, não facilitar.

  18. Alexandre Pereira Santos disse:

    Buenas,
    Charlie, entendo o teu ponto, vou ser sincero. Mas uma das questões mais graves pra quem tem pouco dinheiro é GASTAR BEM. Se ficamos investindo em soluções que não conseguem se somar, se acumular para um resultado melhor, além de estarmos usando o (pouco) dinheiro que temos mal, estamos criando um sobrecusto para ao futuro. O que quero dizer é que investimento em duplicações e viadutos (vêm aí os viadutos da 3a Perimetral com a Anita, Plínio…) custam MUITO CARO e não tem um impacto duradouro.
    As cidades que citamos – Nova Iorque, Paris, etc – todas investiram pesado em obras como essas sem parar, outra delas – Boston – luta há 30 anos para completar o “the Dig” que é um imenso túnel sob o seu centro pra resolver um gargalo. Essas obras não têm fim! A cada investimento feito nessa infra-estrutura, a demanda cresce, porque afinal cada obra é um estímulo para as pessoas usarem seus auomóveis. Mesmo cidades super móveis como Los Angeles não conseguem resolver sua mobilidade com o automóvel individual e isso que eles tem as grandes auto-estradas, sistemas de pedágio, etc.
    Me parece que esses casos e mais a bibliografia que citei no post anterior, estabelecem uma boa hipótese de necessidade de crescimento da malha a partir de modelos de transporte mistos, onde o automóvel privado entre realmente, mas prioritariamente se invista no transporte coletivo e não motorizado secundariamente.
    Sobre esses modelos, não me parece que chegamos ao nível de taxar o transporte individual no centro como fazer Londres, Milão, etc, mas temos que inverter o jogo com os automóveis indivuais imediatamente. Isso me parece que seja a emergência. Aliás, emergência é a falta de planejamento do desenvolvimento urbano da cidade. Conversando com uma colega do escritório ontem sobre mobilidade, nos demos conta, com certa obviedade, claro, de que a falta não é de investimento, de obras, etc, mas de um sistema integrado de mobilidade e desenvolvimento urbano.
    Que cidade queremos? Ela é compacta, densa em seu centro, com cinturões verdes ao redor? Ela é espalhada, horizontal, com muito espaço verde mas nenhuma área rural? É uma metrópole com transporte pendular centro-periferia ou uma com diversas centralidades e corredores que concentram, junto das áreas de moradia, serviços, comércio, etc? Todas estas questões são fundamentais para a mobilidade, muito mais do que se há ou não ciclovias – por mais que essas sejam ESSENCIAIS. Não quero entrar numa discussão entre ovo e galinha aqui, mas me parece que em PoA, continuamos correndo atrás do nosso rabo, sem sair do lugar.
    Só não compro esses argumentos de “emergência” ou “urgência” em relação ao transporte e mobilidade. Sabemos desses gargalos há décadas. Conseguimos hoje ver os gargalos das próximas – Bento Gonçalves com a Lomba do Pinheiro, as grandes avenidas da Zona Sul, conexão de Porto Alegre com suas “cidades-satélites” Cachoeirinha-Gravataí, Viamão-Alvorada, Eldorado do Sul-Guaíba e Canoas para citar algumas.
    Cada um destes problemas acima têm soluções diversas. Algumas baseiam-se nos transportes ditos alternativos – que eu já acho uma nomenclatura errada – como fluvial, coletivo de massa, cicloviário, ferroviário, trens leves, etc. Outras, nas quais não vejo novidade nem perenidade das soluções, baseiam-se numa pretensa liberdade absoluta baseada no automóvel individual.
    Pergunto, para encerrar, qual a grande liberdade e vantagem de estar num carro no período entre as horas das 17:30 às 19:00? Não vejo muitas, ainda mais quando passo por eles subindo a Protásio Alves de ônibus ou bicicleta e chego em casa em 15 minutos, ao invés de ao menos 25-30 minutos de carro.
    abraços!

  19. Lucimar F Siqueira disse:

    Vou seguir voces! …Mas não de bicicleta. rs
    Muito legal o blog e a discussão!

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