EPTC aposta na repressão ao pedestre.

A Empresa Pública de Transporte Coletivo (EPTC) de Porto Alegre orgulhosamente anuncia no portal da Prefeitura de Porto Alegre que já instalou 829 gradis de “proteção” ao pedestre na cidade e a meta até a metade do ano é instalar 1.500.

A situação é triste para o pedestre, que se encontra cada vez mais cercado (literalmente, neste caso) e rodeado de perigos. Sejamos claros, a instalação de grades não têm a intenção de proteger ninguém, mas sim de garantir o livre fluxo de veículos sem que os incômodos pedestres se atravessem no caminho. A segurança do pedestre, fica ainda mais em jogo quando ele quer subir para a calçada, mas ela está cercada de grades.

Essa política de “proteger” o pedestre dos carros cercando-o de grades é como proteger alguém de uma pessoa armada, colocando-o numa jaula, ao invés de tentar desarmar o outro indivíduo. É óbvio que o perigo nas ruas são os automóveis, não os pedestres. Não faz sentido penalizar o pedestre por não estar andando de carro. O que precisa ser feito sim é instalar dispositivos que obriguem os motoristas a reduzir a velocidade e desincentivem as pessoas a sair de casa de carro em primeiro lugar – como lombadas, sonorizadores, fiscalização eletrônica, paralelepípedos ao invés de asfalto, penalidades mais severas – , depois é preciso oferecer alternativas de transporte seguras e eficientes e incentivar o uso de bicicletas.

Só assim se conseguirá reduzir o número de acidentes graves no trânsito: diminuindo o número de carros nas ruas.

Esse post foi publicado em mobilidade, políticas públicas e marcado , , . Guardar link permanente.

11 respostas para EPTC aposta na repressão ao pedestre.

  1. Udo C Weissenstein disse:

    Não concordo com a expressão “repressão”. Primeiro, sabemos que Brasil não é igual a Grã-Bretanha. Segundo, como achei que seria coerente, no fim de uma faixa de segurança NÃO DEVE HAVER GRADES, e realmente não há, cfe a foto acima. Assim, quem caminhar pela faixa de segurança SEMPRE encontrará espaço aberto para atravessar a rua. Por fim, 90% dos pedestres agem como “moscas tontas” no trânsito, só não vê quem não quer. Só porque estes são a parte mais frágil do trânsito, isso não lhes dá o direito de passarem por onde quiserem, quando quiserem e da maneira como quiserem. Vida longa ao “Massa Crítica” – Abraço.

    • Marcelo disse:

      Oi Udo, tudo bem?

      A partir do momento em que se obriga uma pessoa, que supomos ser livre, a seguir por um caminho que ela não quer, que ela não considera ser o melhor para ela, é repressão sim.

      Se atravessar nas faixas de segurança realmente fosse mais prático e seguro não seriam preciso gradis para convencer os pedestres a utilizá-las. Te dou dois exemplos que são os exemplos mais perto da minha casa:

      – No entroncamento do HPS, o infeliz pedestre que vai da Osvaldo em direção à Venâncio Aires é obrigado a atravessar a rua em zigue-zague e esperar por três – isso mesmo TRÊS – semáforos, tendo todo o resto do caminho bloqueado pelas infames grades. Isso se ele não quiser ir para o outro lado da Venâncio, aí então tem outro semáforo, totalizando quatro.

      – Na esquina da Felipe Camarão com a Osvaldo Aranha, algo parecido, o pedestre que deseja seguir caminhando pela Osvaldo Aranha é obrigado a, além de ter que fazer um desvio ridículo, esperar por um semáforo.

      Esses são exemplos de um urbanismo que prioriza os carros, e reprime o pedestre, tratando-o como gado (de uma forma que nem mesmo o gado deveria ser tratado).

  2. sergio disse:

    Concordo com o Marcelo.
    E já compararam o tempo que leva pra abrir um semáforo de pedestres com o tempo do pros carros?
    Tudo pra priorizar o sagrado fluxo de veículos.
    O Brazil não precisa ser igual ao Reino Unido, mas podia copiar as boas idéias ao invés de idéias comprovadamente fracassadas.

  3. Udo C Weissenstein disse:

    Olá! No que se refere à semáforo para pedestres (e na obrigação de se respeitá-lo) então, realmente a coisa muda de figura. Já tentei atravessar ruas de PoA, com 5 ou 6 pistas e é realmente como vc falou. Mas voltando as GRADES, claro que elas obrigam o pedestre a fazer um desvio na sua rota, fazendo-os perderem talvez uma centena de preciosos segundos nas suas vidas (modo irônico). E os carros não? Por conta de mão-únicas, conversões proibidas, etc, chega-se a andar 4 ou 5 quadras para sair na esquina seguinte, desejada. O que um motorista diria? (não que eu defenda, estou comparando) “repressão ao cubo” ?

    • Marcelo disse:

      Oi Udo, tudo bem?

      Tem uma diferença fundamental, as mão-únicas, conversões proibidas que os motoristas são obrigados a obedecer são políticas adotadas para facilitar o próprio trânsito de veículos. Por outro lado, as grades não visam facilitar a circulação de pedestres, mas pelo contrário, visam facilitar a circulação dos veículos.

      Sem contar que é necessário restringir (reprimir) a circulação de veículos, pois o carro em si é um instrumento de repressão ao pedestre, podendo ser inclusive usado como arma. Um simples carro faz com que uma pessoa (motorista) possa impor sua vontade sobre os outros (pedestres), fazendo até com que o motorista se sinta todo-poderoso – todos sabemos como as pessoas ficam mais belicosas e agressivas no trânsito, exatamente como no desenho do Pateta.

      Mas eu adoraria que acabassem com todas mão-únicas e conversões proibidas para os carros, seria ótimo pois isso aceleraria o colapso do atual sistema de trânsito.🙂

  4. Nazareth disse:

    Pessoal, por favor, alguém tem os endereços dos gradis? Há um promotor do MP interessado na questão, em razão da acessibilidade de cadeirantes.

    • Marcelo disse:

      Tem em vários locais, mas não sei se a mobilidade de cadeirantes chega a ser a questão, visto que nos locais onde há gradis, até onde lembro, têm também rampas de acesso.

      Mas se quiserem dar uma olhada, eu sei que tem na esquina da Felipe Camarão com a Osvaldo Aranha, na travessia da Osvaldo Aranha até a J. Bonifácio, na esquina da Caldas Jr. com a Andradas, na frente da Santa Casa, etc.

      • Nazareth disse:

        Se o cadeirante precisa fazer curvas e se o espaço é estreito, pode complicar para ele também. Há que se ver. E não invalida outras formas de combater os gradis: soma-se a elas.

      • Marcelo disse:

        Com certeza, Naza. Eu só não sabia se seria uma reclamação válida.

  5. Mariana Grangeiro disse:

    Sobre o tema, tem essa reportagem, que é interessante: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1082245-EI6594,00-Grades+emburrecem+o+cidadao+diz+urbanista.html. São opiniões de urbanistas sobre a colocação de gradis em SP.
    Ah, se eles investissem o dinheiro gasto nisso para a educação do trânsito…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s